Uma estimativa de desempenho não depende apenas do modelo e dos dados. Ela depende também das datas escolhidas para treinamento e teste, da distância entre esses períodos, da frequência com que o modelo é reajustado e do número de vezes em que uma mesma observação participa da avaliação. Em séries temporais, essas escolhas descrevem uma situação de uso. Alterá-las pode mudar o erro estimado e o modelo que ocupa a primeira posição.

Este artigo investiga esse problema em um experimento controlado. A série, os modelos, o horizonte e as métricas permanecem constantes, enquanto uma dimensão do protocolo é modificada por vez. São comparadas janelas expansiva e deslizantes, gaps de 0, 7 e 14 dias, folds com diferentes graus de sobreposição e cadências distintas de refit da regressão. A seleção do tamanho da janela desse modelo é então executada em uma validação temporal aninhada, antes da consulta a um teste final de 168 dias mantido bloqueado durante o desenvolvimento.

A pergunta central é:

Mantidos os dados, os modelos, o horizonte e as métricas, em que medida o desenho de avaliação temporal altera a estimativa de desempenho e o ranking dos modelos?

No experimento, as diferenças foram suficientes para alterar o ranking. A regressão de calendário registrou WAPE de 8,89% sob janela expansiva e de 4,63% sob janela deslizante de 365 dias. O seasonal naive apresentou o menor valor no primeiro protocolo; a regressão, no segundo. Quando o refit da regressão passou a ocorrer a cada duas ou quatro origens, a média sazonal assumiu a primeira posição. No teste final bloqueado, a regressão com janela selecionada pela validação aninhada apresentou o menor WAPE observado, 5,23%, contra 5,77% do seasonal naive. A conclusão descritiva sobre o modelo dependeu do protocolo porque cada configuração representava uma condição operacional diferente.

1. O objeto estimado pela validação

Considere uma origem T_k, um horizonte H, um gap g e uma janela de treinamento de tamanho W_k. O conjunto usado para ajustar o modelo no fold k pode ser escrito como:

# \mathcal{D}^{(k)}_{\text{train}}

y_t:t\in[T_k-W_k,T_k-1]

O período de teste começa depois do gap:

# \mathcal{D}^{(k)}_{\text{test}}

y_t:t\in[T_k+g,T_k+g+H-1]

O risco estimado pelo backtest é uma agregação das perdas observadas nas origens:

# \widehat{R}_{P}(f)

\frac{1}{K} \sum_{k=1}^{K} \frac{1}{H} \sum_{h=0}^{H-1} L\left(y_{T_k+g+h},\hat y_{T_k+g+h\mid T_k}\right)

O subscrito P explicita algo frequentemente omitido: o risco é condicionado ao protocolo P. Esse protocolo inclui a regra de formação das janelas, o gap, o espaçamento entre origens, a política de atualização, o processo de seleção e a função de perda. Portanto, dois valores de WAPE obtidos sobre a mesma série podem estimar desempenhos sob situações de uso diferentes, como mostra a literatura sobre avaliação fora da amostra e estimação de desempenho temporal (Tashman, 2000; Cerqueira, Torgo e Mozetič, 2020).

Uma janela expansiva responde como o modelo se comportaria se todo o histórico fosse preservado. Uma janela deslizante representa uma política que descarta dados antigos. Um gap de 14 dias avalia uma previsão feita com duas semanas de antecedência. Um protocolo com refit a cada quatro origens não estima o mesmo sistema que outro reajustado em toda origem. A comparação só é operacionalmente útil quando a política simulada é compatível com a política que será executada.

Essa formulação também esclarece o papel do teste final. O backtest de desenvolvimento é usado para comparar especificações e escolher o protocolo. No experimento, os três candidatos e suas regras são congelados antes do teste final, que fornece uma comparação externa entre eles. Quando o mesmo período é usado para selecionar configurações e estimar seu desempenho, a estimativa tende a incorporar o otimismo da busca (Varma e Simon, 2006).

2. Série, modelos e controle experimental

O laboratório utiliza 1.460 observações diárias sintéticas, geradas com semente

  1. O processo contém tendência, sazonalidade semanal, ciclo anual, eventos pontuais e duas mudanças de regime. Os eventos e os regimes não são fornecidos explicitamente aos modelos. Essa omissão produz um ambiente no qual a relevância do histórico varia ao longo do tempo.

Os primeiros 1.292 dias formam o conjunto de desenvolvimento. Os 168 dias restantes, equivalentes a seis horizontes não sobrepostos de 28 dias, compõem o teste final. Nenhuma escolha de janela, gap, passo ou modelo utiliza esse bloco.

Três previsores são comparados:

  1. seasonal naive, que repete recursivamente a última semana disponível;
  2. média sazonal, que estima uma média por dia da semana dentro da janela;
  3. regressão de calendário, com tendência linear, indicadores de dia da

semana e termos harmônicos anuais.

A simplicidade é intencional. O objetivo não é demonstrar superioridade de uma arquitetura, mas identificar o efeito isolado do protocolo. Modelos complexos adicionariam hiperparâmetros, estocasticidade e custo de ajuste que dificultariam a atribuição das diferenças.

O horizonte permanece fixado em 28 dias. O erro é definido como previsão menos observado. O WAPE de cada fold é:

# \operatorname{WAPE}_k

100 \frac{\sum_{h=0}^{H-1}|y_{T_k+g+h}-\hat y_{T_k+g+h\mid T_k}|} {\sum_{h=0}^{H-1}|y_{T_k+g+h}|}

Também são registrados MAE e viés. O ranking principal usa a média dos WAPEs calculados separadamente em cada fold, não um WAPE global sobre todas as observações. Essa convenção atribui o mesmo peso às origens e não deve ser interpretada como se cada fold fornecesse evidência independente, sobretudo nos protocolos com sobreposição.

3. Janela expansiva e memória do processo

Na janela expansiva, o início do treinamento permanece fixo e o fim avança com a origem:

# \mathcal{D}^{(k)}_{\text{train}}

y_0,\ldots,y_{T_k-1}

O procedimento aumenta a amostra a cada fold. Se os parâmetros do processo forem aproximadamente estáveis, essa acumulação tende a reduzir a variância da estimação e permite representar ciclos longos. Se o processo muda, entretanto, observações antigas podem introduzir viés ao descrever relações que deixaram de vigorar.

Na janela deslizante, apenas as W observações imediatamente anteriores à origem são preservadas:

# \mathcal{D}^{(k)}_{\text{train}}

y_{T_k-W},\ldots,y_{T_k-1}

O tamanho W estabelece um compromisso entre memória e adaptação. Uma janela longa oferece mais observações e maior cobertura sazonal, mas reage lentamente. Uma janela curta reduz a influência de regimes anteriores, ao custo de aumentar a variância e possivelmente eliminar ciclos necessários à identificação do modelo.

Os resultados mostram esse compromisso:

Protocolo Seasonal naive Média sazonal Regressão
Expansiva 5,34% 8,49% 8,89%
Deslizante, 365 dias 5,34% 5,30% 4,63%
Deslizante, 180 dias 5,34% 6,56% 5,36%

A regressão de calendário apresentou o maior WAPE entre os três métodos na janela expansiva. A janela de 365 dias reduziu seu WAPE em 4,26 pontos percentuais e alterou a primeira posição. Como o processo gerador contém mudanças de nível e inclinação, a regressão expansiva é estimada sobre observações produzidas antes e depois das mudanças simuladas. A janela de 365 dias reduz a presença dos regimes antigos; o experimento não isola esse mecanismo como causa do ganho.

Reduzir a janela para 180 dias não produziu ganho adicional. A regressão passou a estimar os termos harmônicos anuais com cobertura parcial do ciclo e registrou WAPE de 5,36%, próximo aos 5,34% do seasonal naive. O experimento não sustenta a regra “dados recentes são melhores”. Ele mostra que a quantidade adequada de memória depende simultaneamente da mudança de regime e da estrutura que o modelo precisa identificar.

O seasonal naive apresenta exatamente o mesmo WAPE nos três protocolos porque usa somente a última semana. Alterar o início da janela não muda sua informação. Essa invariância funciona como controle: as diferenças observadas nos outros modelos decorrem da forma como eles utilizam o histórico, não de uma mudança nas datas de teste.

4. Gap: antecedência, latência e embargo

O gap desloca em g dias o início do período avaliado. No laboratório, são testados g=0, g=7 e g=14, mantendo a janela de 365 dias e origens não sobrepostas.

Gap Seasonal naive Média sazonal Regressão
0 dias 5,34% 5,30% 4,63%
7 dias 5,65% 5,36% 4,91%
14 dias 5,86% 5,43% 5,31%

O aumento do gap tornou a tarefa progressivamente mais difícil para os três métodos. Na regressão, o WAPE passou de 4,63% para 5,31%. O modelo permaneceu com o menor valor, mas sua vantagem sobre a média sazonal caiu de 0,67 para 0,12 ponto percentual. Sem uma margem de equivalência ou análise de incerteza, essa diferença não sustenta uma conclusão operacional categórica.

Neste artigo, gap e embargo designam mecanismos diferentes. Um gap operacional representa o tempo entre o fechamento da informação e o início do uso da previsão: atraso de ingestão, processamento, negociação, fabricação ou preparação da decisão. Um embargo estatístico procura reduzir contaminação quando exemplos próximos compartilham informações ou rótulos. Os mecanismos podem produzir a mesma geometria na partição, mas justificam tamanhos diferentes.

Se uma área precisa aprovar um plano duas semanas antes da execução, avaliar com g=0 responde à pergunta errada, mesmo na ausência de leakage. O modelo estaria recebendo quatorze dias de informação que a operação não terá. Nesse caso, o gap não é uma precaução opcional; ele faz parte do horizonte efetivo da decisão.

5. Folds sobrepostos e dependência

Com horizonte de 28 dias e passo de 28, os períodos de teste não se sobrepõem. Com passo de 14, cada fold compartilha metade do período com o fold seguinte. Com passo de 7, a sobreposição chega a 75%.

O aumento da frequência de origens oferece duas vantagens. Ele avalia o modelo em mais estados do processo e aproxima uma operação que publica previsões semanalmente. No entanto, as novas medições não equivalem ao mesmo número de replicações independentes. Uma data difícil pode afetar quatro folds quando o passo é de sete dias, e os erros de horizontes diferentes passam a compartilhar o mesmo valor observado.

No experimento:

Passo entre origens Sobreposição Seasonal naive Média sazonal Regressão
28 dias 0% 5,34% 5,30% 4,63%
14 dias 50% 6,05% 6,93% 5,40%
7 dias 75% 5,51% 7,40% 4,89%

O menor WAPE permaneceu com a regressão, mas a magnitude não foi monotônica. Alterar o passo também altera as origens amostradas. Os resultados mostram que as amostras de folds tiveram dificuldades distintas, mas o experimento não identifica quais características de cada origem produziram essa diferença.

Não se deve concluir que a sobreposição causou aumento ou redução do erro. Ela modificou a amostra de situações avaliadas e a dependência entre as perdas. A inferência sobre diferenças entre modelos precisa considerar essa dependência, por exemplo por reamostragem em blocos, comparação agregada por origem ou modelos para a série de diferenciais de perda. Aplicar diretamente um erro padrão baseado em observações independentes pode subestimar a incerteza. A validade de procedimentos de validação cruzada em séries temporais depende das propriedades do processo e dos erros (Bergmeir, Hyndman e Koo, 2018).

Uma decisão prática precede a técnica estatística: o backtest deve simular a cadência real de emissão. Se previsões são publicadas semanalmente para 28 dias, folds sobrepostos são parte do sistema. A resposta não é removê-los apenas para facilitar a inferência, mas representar sua dependência corretamente.

WAPE dos três modelos sob nove protocolos de validação temporal.

O WAPE e o ranking variam com janela, gap, sobreposição e cadência de refit. A comparação controla série, modelos, horizonte e métrica.

6. Refit: desempenho do modelo ou da política de atualização?

Um modelo pode ser executado várias vezes sem ser reajustado. A distinção é relevante para sistemas nos quais o treino é caro, depende de aprovação ou ocorre em cadência diferente da geração de previsões.

No protocolo de referência, a regressão é reajustada em toda origem. Em seguida, o mesmo ajuste é reutilizado por duas ou quatro origens. Calendário futuro continua disponível, mas os coeficientes não incorporam as observações surgidas depois do último refit.

Política Seasonal naive Média sazonal Regressão
Refit em toda origem 5,34% 5,30% 4,63%
Refit a cada 2 origens 5,34% 5,30% 5,31%
Refit a cada 4 origens 5,34% 5,30% 5,41%

A regressão deixa de apresentar o menor valor quando sua atualização é menos frequente. Sob refit a cada duas origens, sua diferença para a média sazonal é de apenas 0,01 ponto percentual — pequena demais para sustentar superioridade sem uma análise de variabilidade. A cada quatro origens, o WAPE chega a 5,41%.

O seasonal naive e a média sazonal foram mantidos com atualização própria em cada origem; o congelamento foi aplicado à regressão para isolar sua política de treino. Em uma comparação de sistemas completos, todas as políticas precisariam ser especificadas de acordo com a operação.

O resultado demonstra por que a cadência deve constar na documentação do experimento. Parte do ganho atribuído ao modelo pode ser, na realidade, ganho da atualização. Se duas soluções possuem políticas de refit diferentes, uma comparação justa deve reportar acurácia, custo computacional, latência, estabilidade e frequência de treinamento.

7. Seleção sem reutilizar a avaliação

Escolher uma janela depois de observar o WAPE de todos os protocolos usa o backtest como conjunto de seleção. Relatar o menor desses valores como estimativa imparcial de desempenho ignora que o menor valor foi selecionado entre várias alternativas.

A validação aninhada introduz dois níveis. Para cada origem externa T_k, folds internos anteriores a T_k selecionam:

# \widehat{W}_k

\arg\min_{W\in180,365,730} \frac{1}{J_k} \sum_{j=1}^{J_k} \operatorname{WAPE}_{k,j}(W)

Depois, a regressão é reajustada na janela \widehat{W}_k e avaliada uma vez no fold externo. Os resultados externos não voltam para a seleção daquela origem. A estrutura aninhada separa escolha de configuração e estimação externa, reduzindo o viés associado à reutilização da mesma avaliação (Varma e Simon, 2006).

Origem externa Janela selecionada WAPE externo
1.068 180 dias 3,08%
1.124 180 dias 3,27%
1.180 180 dias 11,57%
1.236 365 dias 4,11%

Os três primeiros folds selecionaram 180 dias. No terceiro, essa janela encontrou uma transição de regime e o WAPE externo atingiu 11,57%. O resultado não invalida a seleção interna: mostra que uma escolha baseada no passado pode falhar quando o futuro muda. Na última origem, os folds internos já continham mais evidência do novo regime e selecionaram 365 dias.

A mediana das escolhas internas foi 180 dias, configuração congelada antes do teste final. Essa regra é simples e previamente especificada. Outra regra seria possível, como escolher a janela mais frequente ou refazer a seleção em cada origem operacional. O ponto metodológico é registrar a regra antes de consultar o bloco reservado.

Validação aninhada não elimina mudança de regime nem garante que o hiperparâmetro escolhido continuará adequado. Sua função é separar o erro do procedimento de seleção do erro usado para avaliar o procedimento já selecionado.

8. O teste final bloqueado

Os 168 dias finais são divididos em seis origens não sobrepostas. A regressão usa janela de 180 dias, escolhida no desenvolvimento, e é reajustada em cada origem. Nenhum resultado desse bloco altera a especificação.

Modelo MAE WAPE Viés
Seasonal naive 13,97 5,77% -1,14%
Média sazonal 17,02 7,06% 3,88%
Regressão de calendário 12,66 5,23% -0,02%

A regressão apresentou o menor erro e viés praticamente nulo. A redução relativa do WAPE em comparação ao seasonal naive foi de aproximadamente 9,3%. O ganho é menor que aquele observado para a janela de 365 dias no backtest de desenvolvimento e não deve ser interpretado como garantia de estabilidade.

O teste final contém apenas seis horizontes. Ele fornece uma avaliação externa dos candidatos congelados, mas continua sendo uma amostra temporal limitada. Bloquear o período reduz sua reutilização durante a seleção; não elimina outras fontes de otimismo nem a incerteza associada ao regime que ocorreu nele.

Depois da consulta, qualquer modificação orientada por esses resultados muda o status do bloco. Se a janela for alterada porque a média sazonal teve viés positivo, por exemplo, os 168 dias passam a integrar o desenvolvimento. Uma nova estimativa final exigiria dados posteriores ou avaliação prospectiva.

9. O ranking como variável do experimento

O seasonal naive apresentou o menor WAPE em dois dos nove protocolos de desenvolvimento. A regressão apresentou o menor valor em cinco. A média sazonal ocupou essa posição nos dois protocolos com refit menos frequente da regressão. Nenhum modelo foi invariavelmente superior.

Uma medida descritiva de estabilidade pode ser definida como:

# S_m

\frac{1}{P} \sum_{p=1}^{P} \mathbb{1}\operatorname{rank}_{m,p}=1

em que P é o número de protocolos e S_m é a proporção em que o modelo m ocupa a primeira posição. No conjunto avaliado, a regressão apresenta S=5/9, o seasonal naive S=2/9 e a média sazonal S=2/9.

Essa medida não constitui probabilidade de vitória em produção. Os protocolos não são uma amostra aleatória de cenários e diferem em mais do que dificuldade. Ela serve para revelar fragilidade: uma recomendação baseada apenas no melhor WAPE de uma configuração omite que o ranking se inverte sob condições operacionais plausíveis.

Uma decisão de implantação deveria considerar ao menos três dimensões: desempenho no protocolo que representa a operação, estabilidade em análises de sensibilidade e resultado no teste bloqueado. O protocolo operacional tem prioridade; não se deve escolher retrospectivamente aquele que favorece o modelo preferido.

10. O que pode e o que não pode ser concluído

O experimento sustenta quatro conclusões restritas.

Primeiro, a quantidade de histórico alterou substancialmente a regressão em um processo que continha mudanças de regime. Segundo, aumentar o gap reduziu a vantagem descritiva do candidato, mostrando que a antecedência operacional faz parte da dificuldade avaliada. Terceiro, folds sobrepostos alteraram as origens avaliadas e introduziram dependência, sem produzir uma relação monotônica com o erro. Quarto, reduzir a frequência de refit foi suficiente para inverter o ranking.

Não se conclui que janelas deslizantes sejam geralmente superiores, que 180 ou 365 dias sejam tamanhos recomendados para dados reais, nem que regressão de calendário seja o melhor modelo de demanda. A série é sintética, os eventos são controlados e existem apenas três previsores simples.

Também não foi estimado um intervalo de confiança para a diferença entre os modelos. A dependência entre folds, sobretudo nos protocolos sobrepostos, exigiria um procedimento inferencial compatível. O objetivo aqui é estudar a sensibilidade do estimador de desempenho, não produzir uma declaração populacional sobre superioridade.

O refit foi simplificado. Em sistemas reais, reprocessar features, retreinar, selecionar hiperparâmetros, calibrar intervalos e publicar previsões podem ter cadências distintas. A política completa precisa ser reconstruída no backtest.

11. Implicações para projetos de forecast

Um protocolo temporal deve ser tratado como parte versionada do produto analítico. Além do modelo e das features, a documentação precisa registrar:

  • origem e horizonte;
  • regra de formação da janela;
  • gap e sua justificativa;
  • passo entre origens;
  • grau de sobreposição;
  • cadência de refit;
  • elementos reajustados em cada fold;
  • nível interno e externo de seleção;
  • localização e governança do teste final.

Esses parâmetros devem derivar do processo decisório. Se o planejamento é mensal, o passo entre origens pode ser mensal. Se a previsão é republicada semanalmente para um horizonte de quatro semanas, a sobreposição deve aparecer. Se dados levam sete dias para fechar, o gap precisa representar essa latência. Se o treinamento ocorre trimestralmente, um backtest com refit diário superestima o sistema disponível.

Análises de sensibilidade continuam úteis, mas têm função diferente. Elas mostram quanto a conclusão depende de escolhas plausíveis. Não autorizam a seleção oportunista do protocolo que produz a narrativa desejada.

Conclusão

O desenho de validação alterou tanto a magnitude do erro quanto o ranking dos modelos. A regressão de calendário apresentou o maior WAPE sob janela expansiva, o menor sob janela deslizante de 365 dias e deixou a primeira posição quando seu refit se tornou menos frequente. Gaps maiores reduziram sua vantagem, enquanto folds sobrepostos mudaram a composição e a dependência das avaliações.

A validação aninhada selecionou uma janela de 180 dias para a regressão antes da abertura do teste final. Nesse bloco, ela registrou WAPE de 5,23%, valor menor que o seasonal naive, mas menos favorável que algumas estimativas do desenvolvimento. O bloco forneceu uma comparação externa sem reutilizar o período que orientou a seleção da janela.

Em forecast, avaliar não significa apenas separar passado e futuro. Significa reconstruir uma política de uso: quanto histórico estará disponível, qual será a antecedência, quando o modelo será atualizado e quantas previsões coexistirão para as mesmas datas. O ranking é condicionado a essa política. Sem declará-la, sua utilidade operacional é limitada.

Caderno técnico

O código, os testes e a reprodução integral estão disponíveis no Laboratório Forecast 201.

Referências